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Desenvolvimento do Texto Dissertativo Argumentativo

Olá!
Hoje trouxe para vocês as imagens de uma apresentação do Powerpoint sobre o texto Dissertativo Argumentativo. Espero que gostem!
Para visualizar em qualidade melhor, clique sobre a imagem.

Desenvolvimento dissertativo

Se a introdução é a parte do texto disertativo-argumentativo que, além de situar o tema, apresenta a tese e o ponto de vista a ser defendido pelo autor, o desenvolvimento é a própria defesa desse ponto de vista, ou seja, é a parte mais importante do texto, aquela que é responsável pelo desenvolvimento de sua ideia principal.

Como o texto dissertativo-argumentativo tem uma finalidade persuasiva, a qualidade dele depende da escolha, da consciência e da organização dos argumentos apresentados no desenvolvimento.

Tipos de desenvolvimento do texto dissertativo-argumentativo

Não há número previamente definido de parágrafos no desenvolvimento de um texto dissertativo-argumenttivo. Apesar disso, geralmente cada argumento coresponde a um parágrafo. Às vezes, porém, um argumento mais complexo se desdobra em dois aspectos, o que cria a necessidade de fazer dois parágrafos para um único argumento. Também podem ocorrer construções em que um único parágrafo faz uso de dois argumentos.
Os tipos mais comuns de parágrafos de desenvolvimento são aqueles organizados com base em:

Enumeração:
Em 69% dos casos de violência sexual, a vítima é alguém menor de idade, e, em apenas 6% das vezes, o abusador é um desconhecido. Ou seja, em 94% das denúncias feitas, o acusado é alguém próximo ao jovem – às vezes é o pai, o irmão, um primo ou um amigo próximo. (É proibido fazer silêncio).
(Folha de São Paulo, 13/10/2003. Folhateen.)

Nesse tipo de parágrafo, que é o mais utilizado, o autor pode definir, conceituar, classificar, detalhar, expor dados, etc. No parágrafo acima, por exemplo, fazendo uso de dados estatísticos, o autor explica qual é o perfil dos responsáveis por abuso sexual de menores

Exemplificação:
Na África, por exemplo, existe uma mulher fumante para casa sete homens, mas entre jovens de 13 a 15 anos a proporção é bem maior: uma para cada 2,2. Tendências semelhantes são verificadas em outros continentes. Na Europa, 33,9% dos garotos e 29% das garotas fumam. Nas Américas, os indíces são de 16,6% e 12,2%, respecticamente. Os números mundiais para jovens são de 15% e 6,6%. Na população adulta, as taxas são de 47% e 12%.
(Mulheres fumantes. Editorial da Folha de São Paulo de 14/8/2003.)

Obeserve que, nesse texto, cujo objetivo é discutir o aumento significativo do número de mulheres fumantes no Brasil e no mundo, o autor cita como exemplo o caso da África. Além da exemplificação com os da Europa e os da América.


Causa e consequência:
Os números concernentes ao total de mortes violentas ocorridas ano passado também são reveladoress e preocupantes: 11% do total de óbitos registrados no país decorreram das chamadas causas externas, ou seja, acidentes de trânsito, homicídios e suicídios. A cifra é bastante alta, superando em muito as taxas mais “civilizadas”, como a da Inglaterra, que é de 5%. Repetindo um padrão já conhecido, as mortes violentas atingiram quatro vezes mais a população masculina do que a feminina.
(Retrato da violência. Editorial da Folha de S. Paulo de 24/12/2004.)

Nesse tipo de parágrafo, procura-se geralmente indicar as causas do fato que está em discussão. No texto anterior, o autor aponta as causas do aumento da violência em várias cidades brasileiras. Além de trabalhar com a causalidade, ele ainda faz uso da comparação (entre dados brasileiros e ingleses, ou entre população masculina e feminina) para fundamentar seu ponto de vista.

As relações de causa e consequência
O esquema abaixo pode ser utilizado quando for apresentada uma afirmação que possibilite facilmente a verificação de uma causa e de uma consequência. Ocorre da seguinte maneira: você recebe um tema (afirmação) e busca encontrar uma causa da situação proposta pelo tema e, em seguida, uma consequência provocada por essa situação.


O esquema abaixo pode ser utilizado quando for apresentada uma afirmação que possibilite facilmente a verificação de uma causa e de um consequência. Ocorre da seguinte maneira: você recebe um tema (afirmação) e busca encontrar uma causa da situação proposta pelo tema e, em seguida, uma conseqüência provocada por essa situação.


Título

1º.
Parágrafo

Apresentação do TEMA
(com ligeira ampliação) - Introdução

2º.
Parágrafo - Causa - (com explicações adicionais)


Desenvolvimento

3º.
Parágrafo - Conseqüência - (com explicações adicionais)

4º.
Parágrafo - Expressão inicial + reafirmação do TEMA + observação final - Conclusão

Para encontrar a causa e a consequência, partimos inicialmente de um tema:

“Constatamos que, no Brasil, existe um grande número de correntes migratórias que se deslocam do campo para as pequenas ou grandes cidades.”

Para encontrarmos uma causa, perguntamos POR QUÊ? ao tema acima. Dentre as respostas possíveis, poderíamos citar o seguinte fato: “A zona rural apresenta inúmeros problemas que dificultam a permanência do homem no campo”.
No sentido de encontrar uma conseqüência para o problema enfocado no tema ao lado, cabe a seguinte pergunta: “As cidades encontram-se despreparadas para absorver esses migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho”.


Observação:
Veja que a causa e a conseqüência citadas neste exemplo podem ser perfeitamente substituídas por outras, encontradas por você, desde que tenham relação direta com o assunto. As sugestões apresentadas não são as únicas possíveis.

EXEMPLO

CAUSA – Algumas pessoas refugiam-se nas drogas na tentativa de esquecer seus problemas.

TEMAS – Muitos jovens deixam-se dominar pelo vício em diversos tipos de entorpecentes, mal que se alastra cada vez mais em nossa sociedade.

CONSEQÜÊNCIA – Acabam tornando-se dependentes dos psicotrópicos dos quais se utilizam e, na maioria das vezes, transformam-se em pessoas inúteis para si mesmas e para a comunidade.



Relação entre causa e conseqüência
Você possui um tema para ser analisado. Neste caso, a melhor forma de desenvolvê-la é estabelecer a relação causa-conseqüência. Vamos à prática com o seguinte tema:

Tema - Constatamos que no Brasil existe um grande número de correntes migratórias que se deslocam do campo para as médias ou grandes cidades.
Para encontrarmos uma causa, perguntamos: Por quê? ao tema acima. Dentre as respostas possíveis, poderíamos citar o seguinte fato:
Causa: A zona rural apresenta inúmeros problemas que dificultam a permanência do homem no campo.

No sentido de encontrar uma consequência para o problema enfocado no tema acima, cabe a seguinte pergunta:
O que acontece em razão disso? Uma das possíveis respostas seria:
Conseqüência - As cidades encontram-se despreparadas para absorver esses migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho

Veja que a causa e a conseqüência citadas neste exemplo podem ser perfeitamente substituídas por outras, encontradas por você, desde que tenham relação direta com o assunto. As sugestões apresentadas de maneira nenhuma são as únicas possíveis.
(Fonte: Técnicas Básicas de Redação, Branca Granatic, Scipione)

Introdução ao texto dissertativo-argumentativo

INTRODUÇÃO AO TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO

Não há uma regra ou modelo único para a construção de um texto dissertativo-argumentativo. As possibilidades para iniciar, desenvolver ou concluir um texto são muitas e dependem do tema, do conhecimento que se tem a respeito dele, do conjunto de ideias que se pretende desenvolver, do enfoque que se deseja dar a elas e da criatividade de quem escreve.

Veja os padrões mais recorrentes de parágrafos, que podem servir de modelo, sobretudo para iniciar um texto:


Declaração: o mais comum de todos, em que o autor afirma (ou nega) alguma coisa, para depois apresentar seus fundamentos. Veja o exemplo:
“O Rio de Janeiro vive sob o domínio do medo. Até quando?, perguntou o Jornal do Brasil na primeira página da edição desta quarta-feira. A pergunta poderia ser desdobrada em incontáveis interrogações, todas perturbadoras”. [...]
(Jornal do Brasil. 19/4/2007)

Definição: semelhante ao anterior, apenas mais explicitamente didático – sendo muito comum nos textos em que a dissertação seja o processo de composição dominante. Pode ocupar só a primeira frase ou todo o primeiro parágrafo. Exemplo:
"O mito, entre os povos primitivos, é uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza. É um modo ingênuo, fantasioso, anterior a toda reflexão e não crítico de estabelecer algumas verdades que não só explicam parte dos fenômenos naturais ou mesmo a construção cultural, mas que dão, também, as formas da ação humana”.
(ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires.Temas de Filosofia)

Alusão histórica: traz a narração de um fato histórico, lenda ou simples episódio (fictício ou real) de que o autor lança mão para desencadear a exposição de determinada ideia. Veja:
"Era uma vez dois caçadores perdidos numa floresta, já sem munição, quando surgiu um leão. Enquanto um deles começava a correr, o outro tirou da mochila um par de tênis especial e começou a calçá-lo, calmamente. O que corria parou, espantado, e alertou: 'Não adianta, o leão corre mais que você'. Ao que o outro respondeu: 'Não preciso correr mais que o leão. Só preciso correr mais que você'". (Merval Pereira, em artigo para O Globo)

Interrogação: aquele em que o autor começa abertamente por uma pergunta, cujas respostas em geral constituem o desenvolvimento e a conclusão, do parágrafo ou de todo o texto. Como neste exemplo:
"Até quando quem vive no Rio sofrerá as consequências da guerra urbana desencadeada por traficantes e bandidos com prontuários quilométricos? Até quando vítimas de perdas que provocam a dor que não passa – como os pais do menino João Hélio, ou de crianças fulminadas por tiroteios rotineiros – vão chorar o choro da desesperança, as lágrimas dos perplexos? Até quando multidões de moradores das grandes cidades sairão de casa sem saber se voltarão?”
(Jornal do Brasil. 19/4/2007)
A pergunta não é respondida de imediato. Ela serve para despertar a atenção do leitor para o tema e será respondida ao logo da argumentação.

Ilustração: é possível começar narrando um fato para ilustrar o tema. Pode-se fazer a coesão do parágrafo utilizando a palavra tema, para retomar a questão que vai ser discutida. Observe:
“O jornal do Comércio, de Manaus publicou um anúncio em que uma jovem de dezoito anos, já mãe de duas filhas, dizia estar grávida,mas não queria a criança. Ela a entregaria a quem se dispusesse a pagar sua ligação de trompas. Preferia dar o filho a ter que fazer um aborto.”
O tema é tabu no Brasil...
(Antônio Carlos Viana, O Quê, edição de 16 a 22 jul.)

Esses modelos (e outros que existam) não devem ser encarados como uma camisa-de-força para a arte da escrita. Ao contrário: trata-se de possibilidades a que a maioria das pessoas recorre, na hora de escrever.
Certamente, a experiência e a criatividade também contam, e sempre oferecem novas opções. Por isso, sempre haverá "exceções", na leitura (e na criação) de textos concretos.

Portanto, não se iniba: recorra aos modelos de parágrafos introdutórios, sempre que sentir que "as ideias estão custando a chegar". No fim das contas... é assim mesmo que elas chegam!








Atividades

1ª QUESTÃO:
Entre os temas sugeridos a seguir, escolha dois deles e crie parágrafos de introdução para textos dissertativos-argumentativos, fazendo uso de procedimentos diferentes.
• O trabalho infantil
• Aborto
• A educação no Brasil
• A violência nas grandes cidades
• Combate às drogas












2ª QUESTÃO:
Sublinhe a ideia central ou tópico frasal de cada tese dos seguintes fragmentos dissertativos.
a) O medo vai transformando o espaço público em cenário não de convivência, mas de ameaça. Daí a busca permanente de reclusão, afastando o contato humano, num constante ressentimento. Os laços de solidariedade obviamente vão se perdendo, num círculo vicioso de individualismo. Impera, portanto a ideologia do “dane-se o resto”. Não é mais uma comunidade, mas um aglomerado de seres desconfiados.
(Gilberto Dimenstein)


b) O mais importante de todos os sinais é a palavra, sem a qual não seria possível a convivência humana, e a própria sociedade inexistiria, dada a impossibilidade de intercâmbio linguístico. Sem esse extraordinário suporte, desapareceria a cosmovisão que o homem tem das coisas e nem se chegaria ao desenvolvimento. Com a ausência do código linguístico oral ou escrito, sem ideias ou conceitos, seria possível existir cultura, progresso e civilização? É óbvio que não, pois as palavras são o sustentáculo de toda essa gigantesca arquitetura chamada civilização.
(Alberto Mesquita de Carvalho)


c) O homem é capaz de cometer as maiores barbaridades em nome de Deus. Para os que matam ou morrem pela religião ou pela ideologia, nada mais há em comum entre os fins e os meios. Os meios vão muito além dos fins. Na verdade, religião e ideologia não passam de álibis para esses meios.
(Eugène Ionesco)